
Como ouvir a minha própria voz se, dentro da minha cabeça, ecoam as vozes de tantas outras mulheres? Quem sou eu, e quem devo ser, agora que carrego uma criança em meus braços?
Quem devo ouvir? O meu instinto selvagem, que habita em mim, ou todas as outras dizendo como devo fazer, como devo ser, sentir ou maternar? E se disserem que minha criança é tão diferente que não deveria fazer parte dessa comunidade? E se esperarem que eu a molde, que eu a abandone simbolicamente para caber? A maternidade desperta a ferida antiga de tentar caber, de ser aceita pelo grupo, de não ser “a diferente”. E, quando dizem que o seu jeito é estranho, inadequado ou fora do esperado, algo em ti treme, como o Patinho Feio antes de descobrir que nunca foi pato.
Mas e se o que chamam de “estranho” for justamente o que te torna inteira?
E se…?
Resgatar e entrar em contato com sua sabedoria selvagem é o que traz de volta seu poder pessoal.
É o que te dá guiança e força para atravessar este ciclo com consciência e, não como uma criança acuada, dependente, perdida em tantos julgamentos disfarçados de orientação. Palpite!? Sim, este é o caminho de resgate da tua natureza selvagem, aquela que existe antes das regras, dos julgamentos e dos palpites disfarçados de ajuda. Essa sabedoria não grita. Ela sussurra. Ela chega no silêncio, no corpo, na respiração que volta a ser tua. Existe, em cada mulher, uma inteligência intuitiva capaz de guiar ciclos intensos, como: a gestação, o parto e o puerpério — com presença, força e verdade, permitindo que sejam únicas.
Inspirada por Clarissa Pinkola Estés, eu te lembro: depois de gerar e parir, toda mulher merece recolher seus ossos, se reintegrar, se reconhecer e abraçar a nova face que nasce junto com o bebê. Esse acesso se dá no silêncio e no sentir. Assim como a mente precisa de espaço, o corpo também precisa se reconhecer. Esse é um convite à reflexão. Quando a maternidade é guiada apenas pelas vozes externas, muitas mulheres se afastam de si, não por falta de amor ou força, mas porque foram ensinadas a desconfiar da própria sabedoria.


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